Fundação Cultural Cassiano Ricardo


Por trás de cada espetáculo há profissionais que pegam pesado nos bastidores para levar ao público o máximo da perfeição / Foto: Paulo Amaral

 

Depois de passarem pelo susto das suspensões das atividades artísticas nos espaços culturais, muitos empreendedores criativos tiveram que se adaptar ao mundo virtual e hoje já trabalham com a concepção das apresentações híbridas como um caminho sem volta no cenário artístico-cultural pós-pandemia. 

Empreendedor criativo não se resume ao artista em si. Por trás de cada espetáculo há profissionais que pegam pesado nos bastidores para levar ao público o máximo da perfeição. São técnicos de som, iluminação, cenógrafo e figurinista, produtor, entre outros que enfrentaram o desafio das lives para manter seus sustentos. 

Reinaldo Francelino é técnico de som e iluminação da Fundação Cultural Cassiano Ricardo há 27 anos e, durante todo esse tempo, estava acostumado com o calor do público. “Nesse tempo de pandemia, aprendi que o chat pode ser um termômetro para avaliar a produção. Logo que as lives começaram, achava tudo muito frio mas ai aprendi que o bate-papo online pode trazer um pouco de empolgação para um show”, disse. 

O técnico, que achava que sua profissão ia acabar, ficou em pânico no início da pandemia mas deu a volta por cima e, atualmente, ele tem até canal no youtube. “No começo foi assustador, mas vejo que hoje muita gente entendeu que pode participar de muitas atividades na segurança do lar”. 

Com 10 anos de experiência, Bruno Mantovanni é músico e produtor técnico e executivo em projetos culturais e viu sua rotina de trabalho totalmente reinventada para o ambiente digital e para a mídia audiovisual nesse último ano. “Eu nunca tinha tecnicamente editado um único vídeo na minha vida. Foi um processo de mudança, adaptação e aprendizagem de uma nova rotina que não estava prevista, mas necessária e emergencial”. 

Bruno fez do limão, uma saborosa limonada. Com criatividade, ele usou a crise para aprender, se transformar e descobrir novos caminhos. Hoje, aproveita todas as oportunidades que a tecnologia tem oferecido. Para ele, a forma híbrida de atuação deverá permanecer mesmo com a retomada das ações presenciais pós-pandemia. 

 

Aprendizado online  

A coordenadora de Espaço Cultural, Edilaine Pereira, que tem 25 anos dedicados às oficinas culturais e vários outros programas desenvolvidos no Cine Santana, precisou assimilar rápido o novo processo de relacionamento entre orientador artístico e aprendiz para auxiliar no aprendizado online. 

“Temos que estar abertos a viver o dia de hoje e manter o equilíbrio, com seus desafios e oportunidades. O ano de 2020 foi de muito aprendizado e todos tiveram participações fundamentais no novo processo, desde os estagiários até os próprios alunos que se propuseram a aprender remotamente”, afirmou.  

Edilaine, que abre as salas virtuais, distribui os links, facilita o acesso remoto dos aprendizes e orientadores artísticos, verifica a lista de presença e se atenta para que as aulas sejam oferecidas com qualidade, avalia que “esse trabalho não é maior e nem menor, é somente uma questão de adaptação, um recomeço”. 

 

Estímulo à Economia criativa  

Neste ano, a Fundação Cultural Cassiano Ricardo já promoveu cerca de 120 apresentações artísticas no formato virtual, entre lives e exibições de vídeos pelo canal do YouTube. Essas ações movimentam cerca de 500 profissionais da economia criativa, entre artistas e técnicos.  

Paralelamente, o Fundo Municipal de Cultura lançou dois editais que totalizam R$ 966 mil. A verba deverá contemplar 58 projetos nas áreas de teatro, artes cênicas (dança, performance e circo), música e artes visuais (cinema, pintura, escultura, desenho, fotografia, designer, arte urbana) e espaços culturais de São José dos Campos.  

 

Publicado em: 09/04/2021

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