Fundação Cultural Cassiano Ricardo

O músico Kardec Gonzaga, 63 anos, é instrutor de oficinas de acordeon e teclado do Programa Arte nos Bairros / Foto: Paulo Amaral

 

Com todos os espaços culturais fechados em razão da pandemia da covid-19, a Fundação Cultural Cassiano Ricardo teve que se reinventar para levar as ações culturais para dentro das casas dos joseenses. O desafio foi grande ao transformar as atividades presenciais em virtuais, mas os resultados têm sido significativos tanto para os artistas quanto para a população.

O que antes era apresentado em teatros, museus e casas de cultura agora os próprios cômodos da casa servem de cenários para atividades artísticas, como a dança, o circo, o teatro, a música e as artes plásticas. O aprendizado está servindo a todos, independente da faixa etária. Pais ou responsáveis participam mais das aulas, facilitando o acesso das crianças e os filhos e netos auxiliam os pais e avós a se conectarem à nova realidade.

Hoje, há quase um ano desse isolamento social, vários programas e ações culturais virtuais já fazem parte da rotina das pessoas. No Programa Arte nos Bairros, as oficinas culturais, por exemplo, movimentam cerca de cem orientadores artísticos, além dos produtores, que ensinam mais de mil aprendizes virtualmente.

Ao transformar essas ações até então presenciais para o modo online, a FCCR teve o cuidado de manter os mesmos orientadores nos dias e horários habituais das casas de cultura. Essa rotina mantém o vínculo afetivo entre os participantes, que têm a oportunidade de compartilhar essas novas experiências remotas com pessoas já conhecidas.

O músico Kardec Gonzaga, 63 anos, é instrutor de oficinas de acordeon e teclado do Programa Arte nos Bairros. Hoje, já adaptado ao formato online, ele destaca a importância da manutenção das oficinas durante a pandemia. “As aulas tiram a monotonia das pessoas. Tenho alunos já de uma idade acima dos 60 e eles mesmos falam que as oficinas virtuais vieram em boa hora, pois é uma válvula de escape”.

“Essa experiência é extraordinária”, afirma Maria de Lourdes da Silva, 71 anos, doméstica, aluna da oficina de acordeon, do mestre Kardec. Antes da pandemia, ela não fazia parte de nenhuma oficina. Ela conta que, no início, teve dificuldade, mas com a ajuda do próprio professor agora ela tira de letra. “É uma alegria fazer as aulas”.

Quem também está feliz com as atividades artísticas dentro de casa são as alunas Maria Giovanna, 11 anos, e Rebeca, 8 anos, e a mãe Gislene de Oliveira Gomes. “Acho muito importante continuar as aulas online, pois as crianças estão dentro de casa sem ter o que fazer e as aulas de balé têm ajudado muito a não deixá-las acomodadas. Elas mesmas se arrumam e ajeitam a sala para se preparem para a atividade”, disse a mãe das alunas da oficina de balé clássico.

A atriz Ana Cristina Freitas, 40 anos, integrante do Grupo Nômade e do Teatro D'Aldeia, ressalta a necessidade de manutenção da arte durante a pandemia, tanto do ponto de vista econômico como a oportunidade de assistir peças, shows, exposições, palestras de todo canto do Brasil e do mundo.

 

Palavra de especialista

Na opinião da psicóloga e psicanalista clínica, Alessandra Luísa Toledo de Oliveira Murat, a mudança temporária do modelo de ação cultural para o modelo virtual é de extrema  relevância. “Neste momento de isolamento social, todos nós precisamos estar ativos e dinâmicos para lidar com os desafios da vida cotidiana. Envolver-se com nossa rotina nos dá o sentimento de pertencer a um lugar, pertencer a uma época, pertencer a um momento. A arte e a cultura local são grandes aliados deste processo de aprendizado coletivo, sem eles a humanidade não poderia recontar a sua história”.

 

Publicado em: 15/02/2021

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