Fundação Cultural Cassiano Ricardo

A professora Ellen Moreira reaprendeu a brincar e inserir materiais alternativos para ensinar técnicas circenses / Foto: Paulo Amaral 

 

A arte de ensinar vai além das técnicas didáticas de ensino. Com suas linguagens próprias, a música, o circo, as artes e o artesanato, por exemplo, requerem estratégias diferenciadas para despertar a sensibilidade dos alunos, principalmente quando as aulas são oferecidas em ambientes virtuais.

Na Fundação Cultural Cassiano Ricardo, a criatividade é o principal recurso utilizado pelos profissionais artísticos. Reaprender a brincar, valorizar o esforço de cada um, promover lives com outros profissionais são alguns dos métodos que vêm sendo utilizados durante o aprendizado on-line.

Já pensou em dar aula de Circo para crianças com seis anos? Pois bem, a professora Ellen Moreira, graduada em Educação Física, pós-graduada em Psicopedagogia, pesquisadora do Circo há 13 anos pela Unicamp, descobriu brincadeiras que pudessem explorar esse universo. “Mestre mandou”, “elefante colorido” e “mímica” estão ajudando a criançada a aprender expressões corporais, equilíbrio e palhaçaria. Sacolas, bolas de meia e descartáveis passaram a ser instrumentos de trabalho.

“Os pais precisam de um respiro com as crianças dentro de casa. Por isso, o objetivo é facilitar o aprendizado”, afirma Ellen. Para ela, o resultado tem sido surpreendente e exitoso. “As crianças são comprometidas e dispostas. Isso se emociona e motiva muito”.

Para as aulas de Gravura em Metal, do Atelier de Artes Visuais, o professor e artista plástico, Fábio Sapede, decidiu intensificar os conhecimentos sobre a história da arte e a poética para desenvolver a técnica da gravura de maneira diferenciada. Ele promoveu lives, com diversos artistas, para inspirar e despertar, cada vez mais, a paixão pela arte entre os participantes.

Chamar pelo nome para criar o vínculo afetivo, conversar e valorizar a arte tem sido a tática da artesã Maria Aparecida Berna, que dá oficinas de Bonecas e Customização. “As pessoas ficam muito sozinhas e precisam se achar importantes e valorizadas. Depois de já termos conversado muito, agora eu já digo para que elas deixem a pandemia na rua e foquem na arte. Assim, estamos enfrentando juntas o desafio de aprender online”, disse.

Adaptar a prática da arte coletiva, como é o caso do Canto Coral, exigiu do maestro Sérgio Wernec, regente do Coro Jovem Sinfônico da FCCR, uma imersão pelos trabalhos on-line realizados no mundo. “Temos um coletivo de cerca de 60 coralistas e o coro depende da união de todas as vozes. O único jeito foi individualizar e ter empatia com cada integrante, principalmente por estarem se expondo mais ao fazer os exercícios sozinhos”, afirma.

Segundo o maestro, a voz exterioriza o sentimento. “O professor usa a sua sensibilidade para perceber o estado emocional do aluno, dando a ele todo suporte necessário”, disse. A finalização do processo musical é feita com o auxílio de um software que dá um tratamento técnico a todas as vozes gravadas separadamente. “E assim a gente segue aprendendo, sem precisar recomeçar do zero quando tudo isso acabar”.

 

Publicado em: 19/02/2021

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