Fundação Cultural Cassiano Ricardo


Caio Henrique dos Santos Veneziano, bailarino do Núcleo Profissional da Cia Jovem de Dança de São José dos Campos / Foto: Paulo Amaral 

 

Vida de bailarino nunca foi fácil. Preparação, ensaios de coreografia, estudos, uma rotina que chega a cerca de 13 horas diárias. Tudo isso para que o público aprecie o que há de mais belo nos espetáculos. E assim segue a vida de Caio Henrique dos Santos Veneziano, de 23 anos, do Núcleo Profissional da Cia Jovem de Dança de São José dos Campos, que tem uma história de superação e que hoje serve de inspiração para outros bailarinos.

Quem vê Caio hoje nos palcos não imagina que ele teve que vencer a obesidade para chegar onde sempre sonhou. Após recomendação médica, aos 12 anos ele teve que se decidir por uma atividade física. Incentivado pela prima, ele aceitou conhecer as aulas de balé pelas oficinas do programa Arte nos Bairros, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo. “Sempre amei dançar, mas nunca pensei no balé. Saí da minha primeira aula e disse ao meu pai que era isso que eu queria. Ele não teve dúvidas, comprou minhas roupas e eu não parei mais de dançar. Sei que sou o orgulho dele”, disse Caio sobre o incentivo de seu pai.

Caio era o único menino na oficina de aula de balé, mas isso não o incomodava. Ao final do ano, ele participou de uma apresentação onde foi visto pelo diretor da Cia Jovem de Dança, Marco Sanches, que se encantou com sua desenvoltura e o chamou para participar do espetáculo Quebra Nozes. Essa foi a primeira vez que ele, ainda garoto, dançou ao lado de profissionais e já não tinha dúvidas onde queria chegar.

“No ano que vem quero ver você na Companhia”, disse o diretor. E as férias de três meses pareciam durar um ano. Caio disse que mandava mensagens todos os dias para saber quando começariam as aulas. Neste ano, ele conciliou as aulas da oficina e da Companhia, preenchendo de dança todos os dias da semana.

“Eu me animei muito ao fazer aulas ao lado de outros bailarinos, pois na oficina eu era o único menino da turma. Eu errava tudo, mas fazia porque nunca tive vergonha”, afirmou. Até que um dia, o diretor da Companhia perguntou se realmente ele queria ser bailarino. A resposta veio rápida. “Sim, eu quero muito”. Então, ele teria que emagrecer. Essa seria a condição imposta pelo diretor, sem muito rodeio e com muita sinceridade.

Ao contrário do que muitos poderiam pensar, Caio se sentiu impulsionado. “Se ele está me cobrando isso é porque ele acredita no meu potencial”. Em menos de um ano, ele perdeu 15 quilos. Passou nas audições e começou a fazer parte, oficialmente, do núcleo semiprofissional da Cia de Dança em 2015, onde aprendeu mais sobre a técnica e, posteriormente, se formou em balé clássico.

O bailarino que aceitou o desafio de emagrecer, hoje serve de inspiração para outros jovens que estão iniciando, inclusive para seu irmão mais novo. “Gosto de contar a minha história e motivar as pessoas”, disse. Atualmente, Caio integra o núcleo profissional da Cia Jovem de Dança e já sonha em alçar voos ainda mais altos, participando de companhias internacionais. Infelizmente, por causa da pandemia, teve que recusar proposta para dançar em Paris, na França, mas ele entende que essa fase vai passar e que, enquanto isso, ele continua nos encantando com suas apresentações, ainda que de modo online.  Sua última apresentação foi no dia 29 de abril – Dia Internacional da Dança. 

 

Sobre a Cia. Jovem de Dança 

A Cia Jovem de Dança de São José dos Campos é um programa de formação, criado em 2010 pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, com o objetivo de incentivar e despertar talentos, além de oferecer oportunidade de aperfeiçoamento nos gêneros balé clássico e dança contemporânea. O projeto é dividido em quatro núcleos: Núcleo infantil: Formado por crianças de 7 a 11 anos; Núcleo juvenil: Voltado para a formação em balé clássico e contemporâneo para jovens com idades entre 12 e 15 anos, com conhecimento básico de dança; Núcleo semiprofissional: Formado por bailarinos com idades entre 16 e 21 anos, que já possuam conhecimentos e experiências anteriores em dança; e Núcleo profissional: Voltado aos bailarinos com o objetivo de profissionalização e contrapartida de monitoria nas oficinas da Fundação Cultural Cassiano Ricardo.

 

Publicado em: 04/05/2021

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